UM PEQUENO CONTO DE AMOR
Oi Pessoal. Com muita satisfação e honra cá estou assumindo uma coluna aqui neste importante blog para escrever sobre o Treze Futebol Clube, o galo paraibano e obviamente, também sobre outras coisas. A nossa coluna inaugural vai nos trazer um conto romântico sobre amor e futebol. Boa leitura e divirta-se. Abraços efusivos para meus colegas colunistas.
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Na entrada do estádio, eles já trocaram olhares segundo a música que diz “esse seu olhar quando encontra o meu...”. Era domingo, dia de clássico entre Treze x Campinense na preliminar e no jogo principal. Campo lotado: famílias inteiras, amigos fraternais, casais de namorados, os vendedores das arquibancadas e os torcedores solitários das tardes de futebol. Como seria possível um romance nestas circunstâncias? Seria apenas um romance de noventa minutos? Ou não iria ser um romance?
Preliminar. Ele estava na torcida do Treze próximo às cadeiras, embaixo das cabines da imprensa. Ela estava com o namorado - ou marido, ou amigo- ou noivo, não se sabe, nas cadeiras próximo às grades. Também não se sabia se era trezeana ou raposeira. Final da preliminar. O treze empatou e conquistou o título dos juniores. Entre as comemorações e o começo do jogo principal, seguiu-se um ritual: compra de sanduíches, cervejas, refrigerantes, encontros rápidos com amigos e apertos de mão. Quando menos esperava, o alvo de seu olhar estava próximo. Estava só. Olhava para ele. Taquicardia, suor nas mãos, pupilas dilatadas, frio na barriga. Além de sentir tudo isso devido ao jogo, também sentiria devido ao imponderável ter acontecido: um possível romance se concretizaria. Ela estava a três arquibancadas abaixo da sua e olhava sem parar. Ele não sabia o que fazer. Apenas compenetrava-se no seu único companheiro de partida: seu radinho de pilha. Comia as unhas.
Times em campo para a partida principal. Girândolas são acesas, fogos são queimados e a fumaça toma conta de boa parte do estádio. Olhos marejados, narizes sufocados, aplausos e assobios. Juízes em campo, escalações confirmadas, jogo prestes a começar e quando ele menos espera, ela está ao seu lado. “Tenho a ligeira impressão de que o jogo foi para as cucuias”, pensou imediatamente.
Bola rolando e o papo também: “Nome”, “mora onde”, “veio com quem”, “quem era aquele cara”, “qual seu time”, “o que fazem seus pais”, “quall sua profissão”, “por que você não falou comigo”, “estava nervoso”, “seu sorriso é bonito” e “você também”. Vinte minutos do primeiro tempo. Falta para o treze. Vinte minutos. Os olhares agora fixaram-se um no outro. Bocas se calaram, corações aceleraram, dedos uniram-se e mãos se abraçaram. Treze 1x0, lábios empatados num esplêndido beijo de arquibancada. Um beijo sereno e lânguido, de platéia que contrastava com a vibração coletiva de uma multidão de torcedores. O fim do beijo acenou para a mesma tristeza que se abateu sobre os torcedores do campinense. “Tristeza não tem fim, felicidade sim” .
Jogo que segue, o papo também. “Não vimos o gol”, “o beijo foi legal”, “você beija bem”, “sua língua é ávida e a sua é macia”. Fim de primeiro tempo. Uma despedida no ar: “a gente se vê por aí”. No intervalo, segue-se um ritual: mudança de local,compra de sanduíches, pastéis, laranjas, cervejas, pipoca, refrigerantes, encontros rápidos com amigos e comentários sobre o jogo. “O gol foi lindo”, “O treze está melhor do que na última partida”... . Absorto em seus pensamentos, ele não escuta esses comentários, não escuta mais seu radinho de pilha e não percebe a chegada dela.
Segundo tempo começando e o papo já rolava solto. Falaram sobre o destino que os colocou frente a frente em pleno estádio de futebol, falaram sobre o beijo e o que ele significou. Passaram todo o segundo tempo falando de suas vidas. Finalzinho de jogo: tumulto entre os jogadores, outro gol trezeano, explosão da galera e outro beijo foi acordado. Ambos perderam os dois gols, mas ganharam um ao outro. Pelo menos por noventa minutos. Após o beijo, ainda contemplaram a comemoração galista e saíram juntos do estádio. Mãos dadas. Bocas caladas. O que seria daqui para frente?. No portão outro beijo e esse, de despedida. Não trocaram telefone e não se compromissaram.
Nunca mais se encontraram e viveram infelizes para sempre: “Quando penso em alguém, só penso em você”... . Vida que segue!
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Na entrada do estádio, eles já trocaram olhares segundo a música que diz “esse seu olhar quando encontra o meu...”. Era domingo, dia de clássico entre Treze x Campinense na preliminar e no jogo principal. Campo lotado: famílias inteiras, amigos fraternais, casais de namorados, os vendedores das arquibancadas e os torcedores solitários das tardes de futebol. Como seria possível um romance nestas circunstâncias? Seria apenas um romance de noventa minutos? Ou não iria ser um romance?
Preliminar. Ele estava na torcida do Treze próximo às cadeiras, embaixo das cabines da imprensa. Ela estava com o namorado - ou marido, ou amigo- ou noivo, não se sabe, nas cadeiras próximo às grades. Também não se sabia se era trezeana ou raposeira. Final da preliminar. O treze empatou e conquistou o título dos juniores. Entre as comemorações e o começo do jogo principal, seguiu-se um ritual: compra de sanduíches, cervejas, refrigerantes, encontros rápidos com amigos e apertos de mão. Quando menos esperava, o alvo de seu olhar estava próximo. Estava só. Olhava para ele. Taquicardia, suor nas mãos, pupilas dilatadas, frio na barriga. Além de sentir tudo isso devido ao jogo, também sentiria devido ao imponderável ter acontecido: um possível romance se concretizaria. Ela estava a três arquibancadas abaixo da sua e olhava sem parar. Ele não sabia o que fazer. Apenas compenetrava-se no seu único companheiro de partida: seu radinho de pilha. Comia as unhas.
Times em campo para a partida principal. Girândolas são acesas, fogos são queimados e a fumaça toma conta de boa parte do estádio. Olhos marejados, narizes sufocados, aplausos e assobios. Juízes em campo, escalações confirmadas, jogo prestes a começar e quando ele menos espera, ela está ao seu lado. “Tenho a ligeira impressão de que o jogo foi para as cucuias”, pensou imediatamente.
Bola rolando e o papo também: “Nome”, “mora onde”, “veio com quem”, “quem era aquele cara”, “qual seu time”, “o que fazem seus pais”, “quall sua profissão”, “por que você não falou comigo”, “estava nervoso”, “seu sorriso é bonito” e “você também”. Vinte minutos do primeiro tempo. Falta para o treze. Vinte minutos. Os olhares agora fixaram-se um no outro. Bocas se calaram, corações aceleraram, dedos uniram-se e mãos se abraçaram. Treze 1x0, lábios empatados num esplêndido beijo de arquibancada. Um beijo sereno e lânguido, de platéia que contrastava com a vibração coletiva de uma multidão de torcedores. O fim do beijo acenou para a mesma tristeza que se abateu sobre os torcedores do campinense. “Tristeza não tem fim, felicidade sim” .
Jogo que segue, o papo também. “Não vimos o gol”, “o beijo foi legal”, “você beija bem”, “sua língua é ávida e a sua é macia”. Fim de primeiro tempo. Uma despedida no ar: “a gente se vê por aí”. No intervalo, segue-se um ritual: mudança de local,compra de sanduíches, pastéis, laranjas, cervejas, pipoca, refrigerantes, encontros rápidos com amigos e comentários sobre o jogo. “O gol foi lindo”, “O treze está melhor do que na última partida”... . Absorto em seus pensamentos, ele não escuta esses comentários, não escuta mais seu radinho de pilha e não percebe a chegada dela.
Segundo tempo começando e o papo já rolava solto. Falaram sobre o destino que os colocou frente a frente em pleno estádio de futebol, falaram sobre o beijo e o que ele significou. Passaram todo o segundo tempo falando de suas vidas. Finalzinho de jogo: tumulto entre os jogadores, outro gol trezeano, explosão da galera e outro beijo foi acordado. Ambos perderam os dois gols, mas ganharam um ao outro. Pelo menos por noventa minutos. Após o beijo, ainda contemplaram a comemoração galista e saíram juntos do estádio. Mãos dadas. Bocas caladas. O que seria daqui para frente?. No portão outro beijo e esse, de despedida. Não trocaram telefone e não se compromissaram.
Nunca mais se encontraram e viveram infelizes para sempre: “Quando penso em alguém, só penso em você”... . Vida que segue!

2 Comments:
rapaz, o cabra estreou bem. parabéns, belo texto!
e mais uma vez: bem-vindo ao time de colunistas mal pagos do futebol e outras histórias.
hum.. o alarde em torno de uma "coluna sobre o treze" bem q merecia Procon. O classico galo X raposa eh um mero pano de fundo!
Mas o texto eh bonito, sim.
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